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APAE de Caratinga faz mobilização contra projeto do MEC que pode acabar com as escolas especiais

21 ago, 2013 • Destaque

A Apae, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Caratinga, realizou uma mobilização durante esta quarta-feira, 14, a fim de chamar a atenção da população para uma proposta do Ministério da Educação. O projeto do MEC visa fazer com que todas as crianças portadoras de necessidades especiais sejam matriculadas na rede pública regular. Para a Federação das Apaes, o projeto iria acabar com a instituição.

Para Almerinda Trigo Marçal, Diretora da Apae de Caratinga, o projeto, que ainda não foi votado no Senado, poderá acabar com as atividades da instituição em todo o país. “Os profissionais que estão na escolar regular não estão preparados para recebê-los, muitos menos eles (portadores de necessidades especiais). Eles também não estão preparados para estar no meio de outros alunos, tidos normais. Isso vai ser um prejuízo muito grande prá eles, prá sociedade, prá família deles em si. Então assim, eles não estão aceitando essa idéia”, concluiu Almerinda.

APAE 2Isabel Aparecida Campos leva a filha Lorraine todos os dias para estudar na Apae. Portadora de paralisia infantil, a menina de nove anos ainda recebe atendimento clínico dos especialistas contratados da instituição. A dona de casa conhece bem os efeitos da adaptação de uma criança especial em uma sala pública regular. A filha mais velha de Isabel, também portadora de necessidades especiais, sofreu preconceito na escola e não queria mais frequentar as aulas. “Eu acho difícil, por que a minha outra menina foi prá escola regular e foi discriminada, imagina essa daqui se eu por ela em escolar regular? Ela (Lorraine) é mais difícil. A outra anda, essa aqui não anda”, disse a mãe.

Somente em Caratinga, a Apae atende a mais de 400 alunos. São 70 profissionais do setor pedagógico, oferecendo aulas de alfabetização e disciplinas escolares. Os assistidos da Apae ainda participam de aulas de informática).

Para a fisioterapeuta, Marcela Vieira da Costa acostumada a atender jovens com todo o tipo de necessidades especiais, o plano do MEC pode ser um retrocesso na vida dos assistidos da Apae. APAE 3Marcela acredita que a instituição reúne todos os mecanismos necessários para o desenvolvimento dos portadores de necessidades especiais. “A Apae, ela é uma instituição que tem a escola e tem a parte clínica. A gente tem uma equipe multidisciplinar aqui. Então a criança vem prá escola e vai ser atendida também com a outra parte clínica, e se acabar com as Apaes, a criança vai ter que ir prá escola, depois vai ter que procurar uma fisioterapia, uma fonoaudióloga. Acaba aquele atendimento do conjunto que a Apae oferece”.

A Escola Estadual Engenheiro Caldas, é a única do município a receber alunos com algum tipo de deficiência física. APAE 4A escola do Bairro Santa Zita mantém cerca de dez deficientes auditivos. Eles aprendem com a ajuda da linguagem de sinais, o que é ensinado pela professora. Adriana Jaime da Silveira, Interprete de Libras, acredita que, tanto as escolas quantos os professores não estejam preparados para receber os alunos especiais, mas defende a inclusão deles na escola regular. “precisamos sim capacitar as pessoas que irão receber esses alunos”.

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